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justsmile

Qua | 04.11.15

Chama-lhe amor (22/15)

(Imagem retirada da Internet)

 

Depois de ter ido à apresentação deste livro fiquei com a sensação de que seria uma escrita triste e pesada. Não me enganei, a Vera passou para este livro sentimentos e emoções escuras, demasiado pesadas para mim. Não costuma ser o meu tipo de leitura, escritas tão tristes, mas a verdade é que apesar disso é impossível não gostar do livro. Agarrei-me ao livro e devorei-o e muitas vezes tive de parar para pensar 'Porra, coitada da Maria, mas que vida!'. Tornei-me tão solidária para com a Maria, como quando sei da história de algum vizinho, mas desta vez eu própria sentia os seus sentimentos de vazio e solidão, num mundo que nunca foi semelhante ao que ela desejava. E para além de todos os sonhos que a Maria perdeu pelo caminho e que não realizou até aos seus 50 anos, descobre também que tem alzheimer e foi então que tremi com as suas palavras e os seus receios. Receios também meus de um futuro que desconheço e que até pode nunca vir a surgir, mas receios de quem já viu os resultados da doença mesmo à sua frente (O medo de perder a memória). 

No entanto, depois de tanta tristeza e de tantos sentimentos partilhados no diário da Maria, é por fim que as últimas linhas nos surpreendem. Surpreendem de uma forma absolutamente fantástica e que quando fechei o livro me fez pensar 'Porra, mas que qualidade!'. 

Não é um livro para dias tristes, não é um livro para trazer esperança, mas é um livro tão bom que se torna impossível não o ler.

 

"E se falho e não percebo as minhas falhas? E se um dia me estiver qualquer coisa a doer, assim, como hoje, e eu já não souber como se chora?
É possível deixar de saber como chorar no alívio da alma inundada? É possível morrer seca em solidão e ainda assim afogada em aflições? Sem uma palavra que incomode o mundo?"

 

 

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