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justsmile

Seg | 27.03.17

A vida acontece, muda-nos

(Imagem retirada daqui)

 

Por vezes dou por mim a pensar na vida. Algo tão subjectivo e ao mesmo tempo tão concreto. Dou por mim a pensar em como por vezes a vida simplesmente acontece, sem darmos por isso. Como os imprevistos surgem, como conhecemos determinadas pessoas, como relações terminam e começam e até no simples facto do fim da vida. Dou por mim a pensar como a vida acontece, como nos muda, como nos molda, como nos transforma. Dou por mim a pensar em como achamos que a vida é eterna até ao momento que nos escapa. Dou por mim a pensar em como simplesmente pensamos que a vida passa só por nós e não pelos outros.

Ao longo desta vida, dos meus vinte e seis anos por estas terras, aprendi tanto e ainda tenho tanto por aprender. Conheci tanto e ainda conhecerei muito mais. Por vezes, fico parada no tempo, numa espécie de reflexão a pensar como a vida passou por mim, mas principalmente como passou pelas pessoas que já conheci. É mais que sabido que ao longo da vida vamos conhecendo pessoas que nos envolvem na sua história, que se tornam figurantes ou personagens principais da nossa própria história, mas que também vão desaparecendo. Acabamos sempre por lhe dar algum tipo de justificação 'foi o curso', 'é o trabalho', 'não tem tempo' para esses desaparecimento gradual, mas chega a uma altura em que a pessoa já só faz parte das memórias do passado. Fica na nossa memória como a pessoa daquelas histórias, como a pessoa que nos contou aquele episódio caricato ou a pessoa que ao ver determinado filme nos surge na memória. Sem dar por isso a pessoa deixou de fazer parte do nosso presente e agora apenas está nas histórias do passado, naquelas histórias de quem já fomos um dia e já nem somos.

O tempo vai passando, não vamos pensando muito no assunto, até ao dia em que nos cruzámos com essa pessoa, directa ou indirectamente. Aí as memórias surgem-nos. Conversas que achávamos esquecidas no tempo voltam a surgir na nossa cabeça e até nos lembramos do porquê dessa pessoa ter feito parte da nossa vida. Questionamo-nos sobre o seu presente, há um café ou uma conversa, e é apenas aí que nos apercebemos que o tempo não passa só para nós. De uma forma egoísta e egocêntrica até àquela conversa achamos que só nós crescemos, só nós evoluímos, mas esquecemo-nos que à nossa volta o mundo continuou a girar para os outros também. Se para nós, já nada é igual, porque haveria de ser para os outros? Apercebemo-nos que a pessoa que um dia conhecemos já não é a mesma da que está à nossa frente a conversar. O sorriso é outro, os objectivos são diferentes e já em nada nos assemelhamos à pessoa que um dia foi nossa amiga. Os pontos em comum pareceram desaparecer, os gostos divergem e as conversas e o tempo já não batem certo. Nada de grave aconteceu, simplesmente a vida. Os caminhos tomados foram diferentes, as opções em nada se assemelham e as transformações que surgiram na nossa personalidade apenas se devem à vida, nada mais. A vida simplesmente aconteceu, nós mudamos com ela, e como em nada as vidas são iguais nós próprios mudamos com elas.

E assim, por causa da vida simplesmente acontecer, vidas se transformam, pessoas saem da nossa vida, mas também outras entram. A vida está em constante mutação e, por muito subtil que seja, não nos é indiferente. A vida leva-nos amizades e a verdade? A verdade é que nos deixa as que são mais importantes.

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