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justsmile

Qui | 15.12.16

A Trilogia da Neblina (23/25)

(Imagem retirada daqui)

 

Zafón habituou-me a uma leitura misteriosa, cheia de sedução e acção. O autor deu-me sempre uma vontade súbita de devorar os seus livros e de me conseguir esgueirar até àquele mundo tão cheio de mistérios e magia. Não esperava menos que isso quando comecei a ler A Trilogia da Neblina, a compilação de três livros do autor: O Príncipe da Neblina, O Palácio da meia-noite e As luzes de Setembro.

O Príncipe da Neblina teve a capacidade de me agarrar desde a primeira página até ao fim, devorando em dois dias a saga que dois adolescentes viveram no mar, contra um assustador homem que prometia milagres em troca de almas. A acção, as descrições do mar e da praia, assim como da casa da praia foram simplesmente geniais. Para o primeiro livro publicado do autor afirmo que o nível de escrita e de sedução para com o leitor foi realmente muito bom.

O mesmo já não posso afirmar sobre O Palácio da meia-noite e As luzes de Setembro, algures entre estas duas histórias, Záfon perdeu a essência do Príncipe da Neblina. Os contextos mudaram-se drasticamente e o próprio vilão transformou-se noutro espectro que não aquele que imaginava. Apesar do enredo d'O Palácio da meia-noite ser realmente bom, houve algo por ali que se perdeu, talvez alguma magia ou simplesmente o facto de ler de seguida livros tão semelhantes na sua essência. Záfon está lá, mas não da mesma forma surpreendente que costumava estar em todos os outros livros. N'As luzes de Setembro perdi ainda mais o encanto. A acção estava lá, o romance adolescente e as descrições sensacionais que nos transportam para outra época, mas houve algo que não me agarrou. 

Os três livros em si são bons, têm excelentes enredos, mas acabam por ser tão semelhantes entre si que lê-los de seguida foi um erro para mim. Além de que para mim, como antes referi sobre Záfon, todos os livros do autor podem ser lidos independentemente sem uma sequência, pois não existe uma linha condutora na história que as guie. Estes livros, a meu ver, não deveriam ser chamados de Trilogia, pois entre si não há nada as una a não ser as suas semelhanças.

Gostei dos livros, apesar de O Príncipe da Neblina ter sido o meu preferido, mas acho que a palavra Trilogia me induziu em erro e talvez por isso tenha perdido o encanto de o ler a cada livro. Adoro Záfon, é impossível não o fazer, mas estes livros desiludiram-me um pouco.

 

"Paris era uma cidade de desconhecidos, um lugar onde era possível morar anos sem saber o nome da pessoa que vivia no outro lado do patamar. Em Baía Azul, pelo contrário, era impossível espirrar  ou coçar a ponta do nariz sem que o acontecimento tivesse ampla cobertura e repercussão em toda a comunidade."

 

 

 

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