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justsmile

Seg | 23.10.17

A amizade quando crescemos

(Imagem retirada daqui)

 

      Nunca fui pessoa de ter muitos amigos. Não saio todos os fins-de-semana com os meus amigos. Não falo todos os dias com os meus amigos. Alguns nem são de tão perto quanto isso. Não temos longas conversas por telefone. Não usamos o Skype e nem nos vemos todos os meses. Aliás, somos capazes de passar meses sem nos vermos, às vezes até sem falarmos. No entanto, sei que estão lá, sei que existem. Sei que fazem parte da minha vida e se ligar a dizer que estou em apuros estão dispostos a ajudar-me. Em tempos não foi assim. Em tempos tinha amigos com quem saia todas as semanas, com quem ia a todas as festas e mais algumas, com quem combinávamos café a meio da semana e ao fim-de-semana. Eram amigos que estavam sempre presentes, eram o grupinho. Vendo bem, ao longo da vida tive sempre um 'grupinho' de amigos.

     Hoje as coisas são diferentes. Os grupos foram-se desfragmentando e ficaram apenas uma ou outra pessoa de cada um deles. A vida foi acontecendo e aos poucos, sem nos apercebermos bem como, os encontros começaram a escassear. As mensagens por telemóvel diminuíram e as conversas no messenger já são raras. A idade trouxe a falta de paciência para se ser amigo por meios virtuais. A idade trouxe a falta de vontade de estar constantemente a mandar mensagens. A idade trouxe obrigações, trouxe o cansaço de uma semana de trabalho e trouxe a reorganização de prioridades. Mas o mais giro? É como essas amizades se mantém. Apercebi-me disso quando comecei a fazer a minha lista de amigos para o casamento, os amigos de sempre, dos jantares, dos aniversários e com quem acabamos mais por sair como casal foram imediatamente incluídos. Amigos mais próximos d'Ele do que de mim, mas que sempre foram meus amigos, alguns antes d'Ele existir na minha vida. Depois comecei a pensar naqueles que são os meus amigos, com quem saio sozinha, com quem tomo café, com quem janto e apercebi-me que não são muitos os que considero a sua presença essencial no meu dia, mas porra como são bons! Aqueles que me são estritamente essenciais são amizades com mais de dez anos, amigos do secundário que me acompanharam sempre. São poucos, são. Mas sobrevivem a tudo, a esta vida de correria, às poucas mensagens e às poucas conversas. Sobreviveram ao cansaço, às mudanças de vida e às voltas de 180º. São amizades que sobreviveram à distância, ao tempo e até às diferenças. No entanto quanto estamos juntos o tempo não parece ter passado. A afinidade, a amizade estão lá, as conversas são sobre o presente e o futuro e sinto em nós um crescimento delicioso.

      Tenho poucas amizades minhas, por mais alguns dedos da mão conto aqueles com quem tento estar de tempos a tempos. São pessoas que pouco vejo, mas que a ligação nunca se quebrou. São as pessoas que me viram crescer, que me viram evoluir e fico orgulhosa por as ter na minha vida. Olho para nós e vejo como estamos crescidos, como antigamente as nossas conversas eram tão limitadas e como agora são tão filosóficas. E é tão bom ter amizades assim, daquelas que duram anos, daquelas que obrigamo-nos a estar juntos algumas vezes por ano. Daquelas que fazemos um esforço para marcar, remarcar e voltar a marcar se for necessário até encontrar a data certa para aquele café, para aquela conversa. Em tempos achei que era pouco afortunada na amizade, hoje olhando para as minhas maiores amizades com mais de 10 anos, algumas com quase 20 anos, sinto-me uma sortuda. São estas amizades que sinto que vale a pena, em que sou eu própria, em que me sinto à vontade dizendo as maiores parvoíces do mundo e que sei que estão lá para se rirem comigo. Compreendi com a idade que amigos verdadeiros são aqueles que nos acompanham durante a vida, são aqueles que com o tempo ficam, que com os problemas aparecem e que nunca deixam de serem considerados amigos.

        Hoje sinto-me uma sortuda com as pessoas que tenho na minha vida. Poucas, mas boas!

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