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justsmile

Ter | 29.08.17

Objetos Cortantes (13/20)

      Este era um dos livros que estava na minha lista de livros para 2017, talvez pelo alvoroço que o rodeou, talvez pelo sucesso que obteve ou simplesmente pelo título e a capa me terem chamado à atenção. A verdade é que estava na minha lista e sem dúvida que foi uma excelente inclusão nas minhas leituras de 2017.

      Este ano ando com uma determinada tendência para thrillers e este foi sem dúvida um desses excelentes livros que li. Camille, uma jornalista de um pequeno jornal de Chicago, volta à sua terra natal para cobrir uma história do assassinato de duas crianças do sexo feminino. Uma história macabra que espera cobrir para a ajudar na sua ascensão jornalística, o problema foi mesmo regressar a casa. Uma casa nada familiar, com uma mãe despromovida de carinho, com uma meia irmã completamente crescida para a idade física que tem e um padrasto que nada faz, que nada vê, que nada pensa e que nada sente. Mas o pior de tudo isso é o regresso à casa onde viu a irmã mais nova falecer, onde tudo começou, onde tudo terminou.

      'Objetos Cortantes' é sem dúvida um excelente livro que me prendeu de imediato. Numas últimas semanas com pouco tempo e com vários compromissos, dei por mim a ler dez minutos na hora de almoço e a distrair-me com a hora de regressar ao trabalho. Dei por mim a ir para a cama, já tarde, depois de reuniões, e ler pelo menos mais três páginas. O livro agarrou-me de tal forma que a primeira coisa que queria fazer quando chegava a casa era pegar-lhe. Infelizmente não o devorei com a vontade desejada, mas preencheu todos os momentos livres que consegui. É um livro cheio de momentos importantes da história. Pode não ter muita acção, mas tem movimento, tem um desenrolar da história continuo que nos faz prender a cada página para saber o que acontece a seguir. A vontade de descobrir o assassino de um acto tão macabro é tão grande que dei por mim a tentar ser uma detective e a tentar pegar em frases importantes para chegar a uma conclusão. A melhor parte? Não cheguei à conclusão certa. É quando damos por acabada a história, a acção que vemos mais uma reviravolta. Afinal as coisas não eram como pensávamos, afinal houve algo mais por descortinar. E foi isso que me fez adorar o livro. O estudo psicológico, o estado de reflexão da personagem e a manipulação de Amma e Adora, meia-irmã e mãe de Camille, são tão bem descritos, tão envolventes que torna-se impossível deixar o livro. Sem dúvida que foi um livro que adorei e que recomendarei, nem que seja para conhecer uma história macabra que nos faz questionar sobre a humanidade em cada um de nós.

 

"A enorme casa da minha mãe fica no ponto mais a sul de Wind Grap, na zona rica, se é que três quarteirões podem ser considerados uma zona. Ela mora - e eu também morei em tempos -  numa mansão vitoriana com um terraço panorâmico, uma varanda coberta à volta de toda a casa, um alpendre que dá para as traseiras e uma cúpula no topo. Os vitorianos, sobretudo os do Sul, precisavam de muito espaço para andar longe uns dos outros, para conter a tuberculose e a gripe, para evitar a lúxuria predatória e para se escudarem das emoções dolorosa. Esse extra é sempre bom."