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justsmile

Qui | 08.06.17

Matar o Português aos bocadinhos

(Imagem retirada daqui)

 

Desde o tempo do Camões que sempre soubemos que a Língua Portuguesa é bastante traiçoeira, basta tentarmos ler Os Lusíadas. O Português nunca foi uma língua fácil e muito menos uma língua transparente, ou seja, muitas vezes a forma como o dizemos não é, definitivamente, a forma como se escreve, o que nos meus meninos se torna num autêntico terror. Como explicar a uma criança do norte que diz 'abó' que se escreve 'avó'? Como explicar a uma criança de 6 anos que escrevemos 'estar' em vez de 'tar'? Afinal, é o que ela ouve na televisão e em casa. Não é fácil e compreendo a confusão dessas crianças, aliás, muitas vêm parar às minhas sessões por essas confusões e até porque ao ouvirem confundem os fonemas.

No entanto, o que não compreendo é como quatro 'marmanjos' (ok, de certeza que foi só um que escreveu), crescidos e formados não sabem sequer escrever o verbo 'estar' inventado tipo de conjugações de verbos e mais alguma coisa. A situação ainda mais grave? Serem famosos e serem modelos. Após uma correcção, estes D.A.M.A. caíram no seu próprio erro de uma forma absolutamente ridícula, será que nem sequer conhecem o Google? Será que antes de responderem não pararam para pensar? #thinkbeforeyouspeak foi ainda a cereja no topo do bolo. É aterrador, como jovens (pouco mais velhos que eu), modelos de muitos adolescentes e crianças passam a imagem de arrogantes que sabem tudo e mais alguma coisa, até se espetarem contra um muro cheio de palavras inexistentes na Língua Portuguesa. 'Subjuntivo do verbo' foi sem dúvida uma pérola! Eu sei, eu sei, de certeza que este palavreado veio de quem escreve muitas mensagens no telemóvel e está sempre a abreviar, mas por favor, como consegue esta gente escrever letras de música se nem sabe o que é a Língua Portuguesa?

Para além da ignorância que surgiu ao lado da arrogância, a forma de pedirem desculpa e assumirem o erro foi ainda mais infantil. 'Errar é humano e nós gostamos de ser humanos.', Por favor! Haja paciência!

E ontem, o português morreu mais um bocadinho.