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justsmile

Qui | 25.05.17

Panisguices de um casamento

(Imagem retirada daqui)

 

Enquanto eu e Ele não decidimos o fotógrafo que queremos para o grande dia (vá lá, pelo menos já só estamos indecisos entre dois), tenho continuado a aprender sobre este grande mundo de que é preparar um casamento. Tenho aprendido que se antes tínhamos que nos preocupar com os convites e as ofertas, hoje em dia há a possibilidade de nos preocuparmos com mais mil e quinhentas coisas. Na minha cabeça um casamento resumia-se a escolher local, igreja, fotógrafo e vestido. Ok, ainda vinham as alianças e o resto da indumentária, mas agora que ando mais interiorizada do que são os casamentos do século XXI aprendi que sou uma antiquada. Um casamento tornou-se em algo muito mais que um casamento, tornou-se num espectáculo de pormenores e pormenorzinhos, onde quem tem mais trabalha e mais personalizada vence o prémio. Ainda hoje, quando me perguntam 'vais ter isto?' a minha primeira tendência é questionar o que é aquilo, para que serve e se é necessário. Na minha cabeça o que quero mesmo é casar, trocar as alianças e ficar unida a Ele para toda a eternidade (supostamente). No entanto, tenho aprendido que sou demasiado simples com o conceito casamento e quando digo que não quero algo, pareço um ser de outro mundo. Então quando digo que o mais importante daquele dia é mesmo o facto de me casar, parece que provoco um escândalo. Tenho aprendido que existem as lágrimas de felicidade, um conjunto de mini pacotes de lenços para os convidados poderem limpar as lágrimas durante a cerimónia (mas quem é que chora assim tanto num casamento? Aliás, são assim tantas as pessoas que choram num casamento?), tudo com os nomes personalizados e ainda a data e a imagem dos noivos. Aprendi que também há as varinhas da felicidade, enfeitadas com fitas e com guizos na ponta para combater o velho hábito de bater o garfo no copo para iniciar um discurso (faz-me sempre lembrar as fadas madrinhas e só penso o quão gozada seria pela minha família se colocasse tal coisa). Há também os chinelos, os cabides, os robes e até as meias personalizadas para a preparação da noiva, tudo mais que personalizado a dizer 'NOIVA'. Vem ainda os kits, os kits noivas, os kits dama de honor, os kits ressaca, os kits padrinhos, os kits relax e mais um inúmero de kits que nunca sei bem para que servem. Estou para aqui a falar, mas esqueci-me de referir que também há os convites especiais para os pais (como se eles não soubessem que me vou casar) e para os padrinhos, coisas todas giras, cheias de pormenores e de coisas que acredito que quem recebe valorize imenso. Já para não falar das ofertas para crianças, homens, mulheres, adolescentes e bebés que devem ser todas adequadas à idade.

Com isto tudo tenho-me apercebido que sou uma noiva muito antiquada e que não percebe nada disto de casamentos. Adoro pormenores e quero marcar pela diferença, mas acho que vou 'destralhar' o meu casamento. 

 

P.S.: Por momentos, tenho a sensação que as pessoas se esquecem do conceito que é 'casar' e confundem-no à grande com o conceito 'festa', apesar de ambos poderem e deverem existir, mas na medida certa.