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justsmile

Qua | 31.05.17

Gosto de me 'desligar'

 

(Imagem retirada daqui)

 

- Gostava de ser assim como tu. - disse-me Ele um dia destes, depois de mais um problema ter surgido nas nossas vidas.

- Assim como? - questionei, ainda agarrada ao livro, mesmo depois de um dia cansativo de trabalho e de chatices.

- Gostava de ser assim como tu, ter a capacidade que tens de te desligar.

- Em tempos não a tive, aprendi simplesmente a desligar-me. Se estiver sempre a pensar na mesma coisa como tu não me serve de muito, o problema continua sem se resolver. Devias desenvolver essa capacidade. - respondi-lhe, enquanto pensava na altura da vida em que desenvolvi tal capacidade.

- Tens de me ensinar. Pelo menos à tua beira já relaxo um bocadinho.

 

E enquanto Ele continuava ali no sofá, com o seu ar de homem preocupado e que tem o cérebro em alto funcionamento, eu pensava em como tinha desenvolvido esta minha capacidade. Talvez tenha sido a vida, talvez tenha sido o meu cérebro que tenha criado um botão que activo inconscientemente. Talvez tenha aprendido com todas as contrariedades. Ou simplesmente tenha surgido com toda a minha força de vontade de superar tantos problemas. Talvez tenha sido apenas o cansaço.

Lembro-me bem de ser uma pessoa mais stressada, de ficar nervosa com os exames, de ficar com nervinhos na barriga quando tinha de falar em público ou até mesmo de ficar a pensar e a repensar nos problemas que pouca resolução tinham por si só. Hoje sou uma pessoa diferente, lido de uma forma mais tranquila com os problemas. É óbvio que tenho os meus devaneios, há momentos em que barafusto, em que só me apetece dizer palavrões baixinho e até que sinto o meu interior ferver e perder a paciência. Mas quando tenho um problema a sério, contínuo no tempo, que não tem resolução imediata tenho a boa capacidade de desligar (apesar de nos últimos dias não ser propriamente fácil, mas lá tenho conseguido). Tenho a capacidade de dizer 'hoje não se fala deste problema!' e de forma inconsciente consigo activar um botão que faz com que não volte a pensar durante um dia inteiro sobre tal questão. Tenho a capacidade de dizer 'hoje vou simplesmente aproveitar as coisas boas' e tento aproveitar o sol, saborear o chocolate a apertar-me bem nos braços d'Ele. Depois, mais tarde ou mais cedo lá caí a realidade e tenho de lidar com ela, mas já vou mais calma, mais tranquila, mesmo que os sentimentos se venham a transformar em minutos, mas ainda assim aquele breve momento de relaxamento sabe-me pela vida.

Não sei se esta minha capacidade de colocar temporariamente os problemas fora do meu pensamento se deve mais à minha teimosia ou à minha capacidade de selecção do que é importante. Não sei se tudo isto se deve a uma maturidade antes do tempo ou se até de um modo de auto-protecção extremamente necessário para 'tempos de guerra', mas a verdade é que à medida que me tenho desenvolvido e crescido como pessoa tenho aperfeiçoado esta minha técnica. Por vezes sinto, que esta minha necessidade de 'desligar' esgota ainda mais a minha energia, pois o inconsciente só pensa no problema e o consciente não quer pensar no assunto, criando uma batalha entre si que devora a minha energia. Outras vezes sinto que é uma das minhas melhores capacidades, aceitar que não tenho resolução para um problema ou que até o ter não vale a pena sofrer por antecipação ou pensar e repensar em como o poderia resolver se não depende inteiramente de mim. E ainda outras vezes sinto-me abençoada por conseguir ser assim, talvez a alguns pareça irresponsável a outros despreocupada, eu sei que os problemas não desaparecem sozinhos, mas acho que não merecem levar consigo toda a minha boa disposição. 

Gosto de me desligar, há dias mais difíceis, os últimos têm sido assim, mas pelo menos sei que logo à noite quando estiver com o meu livro nas mãos ou nos braços d'Ele tudo vai me vai parecer, relativamente, mais fácil.

Hoje preciso de me 'desligar'.

 

 

Ter | 30.05.17

Experiência Youzz Planta Soja

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(Imagem de Just Smile)

 

Tenho sido uma verdadeira desnatura e há imenso tempo que andava a adiar a publicação sobre a minha experiência da Planta Soja. Desde que sou intolerante à lactose, coisa com pouco mais de dois anos, que tenho uma luta diária sobre o que comer ou não comer. Umas vezes arrisco, outras nem tanto, mas havia algo que tinha deixado de arriscar, na manteiga. Experimentei vários tipos de cremes de barrar de soja, 100% vegetal e outras coisas que mais. Até que a Youzz se lembrou da minha intolerância e deu-me a oportunidade de experimentar a Planta Soja. 

É um delicioso creme de barrar, leve e de fácil utilização. Não é duro nem nada que se lhe pareça. Tem um sabor suave, excelente para começar as manhãs numa bela torrada. Não é enjoativo, nem excessivo, está na medida certa. O melhor? Se não soubesse que era de soja, nunca teria adivinhado, e logo eu que nem gosto de coisas de soja! Quem está disposto a experimentar uma 'manteiga' saudável e saborosa?

Seg | 29.05.17

Finding Audrey (7/20)

(Imagem retirada daqui)

 

Audrey, a rapariga dos óculos escuros. Audrey, a rapariga que não faz contacto ocular. Audrey, a rapariga que não sai de casa.

Após um cenário de Bullying de que Audrey foi vítima, duas raparigas foram expulsas da sua escola e Audrey nunca mais lá voltou. Desenvolveu um distúrbio de socialização e até com a família é difícil comunicar. Audrey fechou-se nos eu mundo e apenas fala com Dr.ª Sarah, a psicóloga que a tem ajudado nos últimos tempos. Até a chegada de Linus, um amigo do irmão mais velho. Mas este livro não é só sobre Audrey, mas também a sua família. A personagem tem ainda mais dois irmãos, um viciado em computadores e outro pequeno que parece um papagaio. Tem ainda dois pais completamente fora do normal, uma mãe que se guia pelo que lê e um pai que faz a vontade à mãe e que não tem muito a capacidade de se impõr com os filhos.

'Finding Audrey' é muito mais que o desenvolver e crescer da personagem principal, é entrar na cabeça de uma pessoa com um distúrbio social e compreender as suas ansiedades, os seus ataques de pânico e a forma como tudo isso condicionou a própria família. Como tudo mudou após aquele ataque de Bullying. Este livro foi muito melhor do que estava à espera, é leve, mas ao mesmo tempo faz-nos pensar em todos os distúrbios psiquicos que existem por aí e como são substimados pela sociedade. Eu própria tenho dificuldade em compreender este tipo de doença, mas foi com Audrey que aprendi um bocadinho. Foi com Audrey que percebi como funciona a cabeça de uma pessoa com essa doença e até mesmo a aceitar um bocadinho melhor a existência destes problemas de saúde mental.

Este foi sem dúvida um livro muito bom, que apreciei e que devorei assim que pude. Leve, com personagens cómicas, mas que ao mesmo tempo aborda um tema tão sério e que afecta cada vez mais pessoas na nossa sociedade. Um livro que recomendo a toda a gente.

 

"Although, as Leonardo da Vinci said: 'Where there is shouting, there is no true knowledge', which might apply better to our family. (Please don't think I'm superweel-read or anything. Mum bought me a book of quotations last month and I flick through it when I'm watching telly)."

 

Qui | 25.05.17

Panisguices de um casamento

(Imagem retirada daqui)

 

Enquanto eu e Ele não decidimos o fotógrafo que queremos para o grande dia (vá lá, pelo menos já só estamos indecisos entre dois), tenho continuado a aprender sobre este grande mundo de que é preparar um casamento. Tenho aprendido que se antes tínhamos que nos preocupar com os convites e as ofertas, hoje em dia há a possibilidade de nos preocuparmos com mais mil e quinhentas coisas. Na minha cabeça um casamento resumia-se a escolher local, igreja, fotógrafo e vestido. Ok, ainda vinham as alianças e o resto da indumentária, mas agora que ando mais interiorizada do que são os casamentos do século XXI aprendi que sou uma antiquada. Um casamento tornou-se em algo muito mais que um casamento, tornou-se num espectáculo de pormenores e pormenorzinhos, onde quem tem mais trabalha e mais personalizada vence o prémio. Ainda hoje, quando me perguntam 'vais ter isto?' a minha primeira tendência é questionar o que é aquilo, para que serve e se é necessário. Na minha cabeça o que quero mesmo é casar, trocar as alianças e ficar unida a Ele para toda a eternidade (supostamente). No entanto, tenho aprendido que sou demasiado simples com o conceito casamento e quando digo que não quero algo, pareço um ser de outro mundo. Então quando digo que o mais importante daquele dia é mesmo o facto de me casar, parece que provoco um escândalo. Tenho aprendido que existem as lágrimas de felicidade, um conjunto de mini pacotes de lenços para os convidados poderem limpar as lágrimas durante a cerimónia (mas quem é que chora assim tanto num casamento? Aliás, são assim tantas as pessoas que choram num casamento?), tudo com os nomes personalizados e ainda a data e a imagem dos noivos. Aprendi que também há as varinhas da felicidade, enfeitadas com fitas e com guizos na ponta para combater o velho hábito de bater o garfo no copo para iniciar um discurso (faz-me sempre lembrar as fadas madrinhas e só penso o quão gozada seria pela minha família se colocasse tal coisa). Há também os chinelos, os cabides, os robes e até as meias personalizadas para a preparação da noiva, tudo mais que personalizado a dizer 'NOIVA'. Vem ainda os kits, os kits noivas, os kits dama de honor, os kits ressaca, os kits padrinhos, os kits relax e mais um inúmero de kits que nunca sei bem para que servem. Estou para aqui a falar, mas esqueci-me de referir que também há os convites especiais para os pais (como se eles não soubessem que me vou casar) e para os padrinhos, coisas todas giras, cheias de pormenores e de coisas que acredito que quem recebe valorize imenso. Já para não falar das ofertas para crianças, homens, mulheres, adolescentes e bebés que devem ser todas adequadas à idade.

Com isto tudo tenho-me apercebido que sou uma noiva muito antiquada e que não percebe nada disto de casamentos. Adoro pormenores e quero marcar pela diferença, mas acho que vou 'destralhar' o meu casamento. 

 

P.S.: Por momentos, tenho a sensação que as pessoas se esquecem do conceito que é 'casar' e confundem-no à grande com o conceito 'festa', apesar de ambos poderem e deverem existir, mas na medida certa.

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