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justsmile

Qui | 27.04.17

Voltamos a Paris?

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(Imagem de Just Smile)

 

Paris, para grande surpresa minha, foi das melhores viagens que já fiz. Ia com poucas expectativas, não esperava muito da cidade Luz, mas a verdade é que saí de lá completamente encantada. Fui a Paris em Dezembro de 2015, pouco depois dos atentados, e se Ele ainda se questionou sobre ir ou não, eu nunca tive dúvidas e sabia que iria de qualquer das formas. Paris, em plena época natalícia mostrou-se ser um pequeno país do Pai Natal, em que ainda hoje posso dizer que foi uma das minhas viagens preferidas. Adorei Madrid, mais do que esperava, Amesterdão ficará para sempre na minha memória com o pedido de casamento, mas Paris ficou no meu coração de tal forma que nem sei muito bem explicar. Nunca me fez tanto sentido a frase 'And we always have Paris'.

Esta noite, estranhamente, sonhei com Paris, com os nossos passeios pela cidade, com a vista para a Torre Eiffel e até com o pequeno apartamento que alugamos na estação de Austerlitz. Voltei a Paris nos meus sonhos e sonhei com aqueles dias frios de Dezembro que tanto me encheram o coração. Voltei a estar Perdida por terras Parisienses, mas desta vez só nos meus sonhos.

Por mim voltava a Paris já amanhã, vamos?

 

 

 

Qua | 26.04.17

Não comprei um terreno, comprei uma selva

(Imagem retirada daqui e representativa)

 

Compramos o terreno em Fevereiro e desde então que Ele anda desejoso por ver aquilo limpo, precisamos ainda de tirar as medidas e dividi-lo com os nossos vizinhos. Sabem aqueles terrenos planos que só têm erva? Definitivamente não é o nosso. Nós não compramos exactamente um terreno, compramos sim uma espécie de selva cheia de lixo. Compramos um emaranhado de silvas, troncos a apodrecer, árvores e mais árvores de troncos grossos que contam com décadas e décadas, compramos buracos, desníveis, socalcos e ainda lixo. Toneladas e toneladas de lixo. Garrafas de vinho, assadeiras, latas de spray e até de Pronto, latas de tinta, lavatórios, sanitas, esfregões, partes de armários, mármore, chapas, cds e outros tantos afins que nunca imaginaria perdidos no meio das silvas. 'Com jeitinho, de juntássemos este entulho todo já tínhamos o enxoval feito e até podíamos começar a construção da casa.', dizia eu de cada vez que me apareciam coisas estranhas. No último mês, enquanto eu trabalhava ao sábado, Ele  dedicava-se a cortar árvores, limpar lenha e arrumar aquilo que podia do terreno com dois amigos. Podem ter passado pouco tempo lá, mas a verdade é que no primeiro dia já se notou a diferença e a paisagem que passei a ver foi fenomenal. Já não via só árvores e silvas, mas passei também a ver o monte à nossa frente. Apesar de todo o esforço d'Ele e dos amigos a verdade é que continuávamos a ter pouca percepção do que seria o nosso terreno, as silvas eram em demasia e sabíamos que precisávamos de ajuda. De forma a conseguirmos a poupar alguns trocos decidimos que com a ajuda da minha família e dos amigos d'Ele o 25 de Abril seria a data ideal para uma reunião familiar para limpar o terreno. Assim, ontem fomos para o terreno, sem saber bem o que nos esperava, armados com luvas, máquinas de cortar erva, trator, serras, motosserras, ansinhos e umas Minis na geladeira para dar de beber a tanto homem. Eu, a única mulher lá perdida no meio, bebi a águazinha e fiquei feliz.

Não foi um dia fácil, desde as 9h da manhã até às 18h que foi sempre a carregar lenha, cortar silvas, apanhar lixo, fazer montes de lixo e ervas. As minhas pernas, de tão arranhadas que estão, são a prova viva de que não foi uma tarefa fácil. As minha costas são aprovava viva de que trabalhei arduamente, de tão doridas que estão. Todos os que participaram neste aventura pelo meio de um monte que, dizem os vizinhos, nunca tinha sido limpo sentiram na pele o cansaço. A tarefa não ficou terminada, nem lá perto, mas estou tão orgulhosa da família que tenho, daquilo que fizeram por nós, por terem deixado de lado um feriado para conseguirem ajudar. Sei que a feijoada e o lanche são sempre um reforço, mas estou extremamente orgulhosa daquilo que conseguimos.

Ontem, apesar de todo o cansaço, apesar do trabalho que ainda temos para fazer, deixamos de ter uma selva e temos um terreno. Sinto-me orgulhosa de nós!

 

P.S.: Orgulhosa, mas terrivelmente dorida, nossa!

Seg | 24.04.17

Por um fio (5/20)

 É fácil de ver por estes lados que sou fã de Rainbow Rowell, uma escritora que me consegue sempre levar a viajar pelo tempo e a conseguir reviver sentimentos da adolescência. Por isso fiquei tão surpreendida quando comecei a ler 'Por um fio', em que nenhuma das personagens era adolescente. Georgie, mulher adulta e madura com duas filhas, opta por deixar o marido e as filhas irem passar o natal a Omaha e ficar a trabalhar num guião de comédia. É a partir desse momento de separação temporária que Georgie se apercebe de como tem sido a sua vida de casada com Neal. Neal o homem perfeito, que cuida das miúdas, que trata da casa, que apoia (parcialmente) Georgie a seguir a sua carreira de sonho, mas e Georgie? Não tem sido a esposa e mãe presente, não tem sido a mãe que gostaria de ser e só se apercebe disso quando a milhares de quilómetros de distância não consegue contactar Neal pelo telemóvel. Ao ligar para o telefone fixo de casa de Neal, algo de estranho acontece, é Neal que a atende, mas o Neal de 1998. O Neal que deixou Georgie depois da primeira discussão. Toda esta viagem pelo passado faz Georgie re-definir prioridades e aperceber-se de que a vida só é vida com a família, por muito que goste do seu trabalho.

E mais uma vez Rainbow Rowell me deixou presa às suas palavras. Mais uma vez Rainbow Rowell me deixou a viajar pelo início de um amor, pelo presente e pelo futuro. Mais uma vez Rainvow Rowell envolveu-me de tal forma que foi fácil ler este livro, mesmo estando cheia de trabalho e cansadíssima de uma longa semana. Mais uma vez Rainbow Rowell fez magia com as suas palavras. É um livro engraçado que viaja pelo presente e pelo passado e que conta uma história de amor que amadureceu e cresceu, que mostra uma relação improvável de alguém que nunca sorri com alguém que vive para fazer sorrir os outros. É uma bela história de amor que demonstra a realidade dos dias que correm, o trabalho, a família, a rotina e a dificuldade em estar presente em todos esses contextos. Uma história de amor que nos abre os olhos para o mais importante da vida.

Mais um bom livro da autora que vale a pena ler. Uma história leve que enche o coração.

 

Qui | 20.04.17

Às vezes penso que somos loucos

(Imagem retirada daqui)

 

Às vezes paro para pensar e pondero se eu e Ele estaremos realmente loucos. No ano de 2016 eu estive desempregada 5 meses, Ele quase 4 meses. No início de 2017 comprámos o terreno, decidimos casar no ano de 2018 e começar as obras na nossa casa temporária. Antes de nos metermos nestas aventuras fizemos contas à vida, sinceramente ainda as continuamos a fazer, mas pareceu ser tudo concretizável. No entanto, à medida que o tempo tem passado tenho ganho um certo receio a tanta despesa junta. O preço das cozinhas são aterradoras, na quinta vamos investir uma pequena fortuna e na lua-de-mel nem vale a pena pensar porque não sabemos se teremos dinheiro para tal coisa. Se por um lado ando ligeiramente aterrorizada com estas contas todas (Ele anda verdadeiramente aterrorizado, mas diga-se de passagem que sou o ser mais racional nesta relação), por outro lado sinto-me tão orgulhosa como nunca me senti. Tudo, mas tudo o que temos conseguido tem sido às nossas custas e com o nosso sacrifício. Infelizmente, não podemos contar com a ajuda de ninguém para este tipo de despesas, mas talvez isso ainda me faça sentir mais orgulhosa. Se ponderar bem, no pouco que trabalhei em 2016 consegui chegar a Janeiro com 5/6 daquilo que ganhei, conseguimos pagar todas as despesas do terreno e das escrituras, conseguimos ir a Amesterdão, conseguimos pagar a entrada na quinta e ainda temos dinheiro na conta para todas as despesas das obras. Ele entra em pânico ao ouvir todo este tipo de argumentação, pensa, re-pensa e volta a pensar e a fazer contas, e diz que tudo é possível, mas quase sem confiança na voz. Eu, que sou tãooo ponderada a nível financeiro acredito que conseguimos, temos tido provas de que conseguimos. Claro que não fazemos tudo o que queremos, jantamos fora menos vezes, os bens-materiais são ponderados ao comprar e os passeios têm sido mais reduzidos, mas tudo porque temos objectivos demasiado grandes para atingir em pouco tempo. Temos conseguido manter a nossa palavra, temos conseguido ter os cuidados necessários e cada vez que Ele diz 'Não sei se vamos ter dinheiro para tudo', eu apenas respondo que as contas foram feitas, estamos nos parâmetros esperados nesta altura do campeonato e a verdade é que se eu não tivesse a certeza de que iríamos conseguir, nunca me teria metido nestas aventuras. Ele mantém-se mais receoso que eu, eu cada vez que tenho de pagar grande despesas tremo um bocadinho, mas depois assento os pés e apenas sorrio porque me sinto orgulhosa de nós e do que estamos a conquistar juntos.

Será que estou mesmo louca ao termo-nos metido nisto tudo ao mesmo tempo?

 

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