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justsmile

Qui | 02.02.17

Nunca fui a típica menina...

(Imagem retirada daqui)

 

Nunca fui a típica menina de sonhar com o casamento. Não sonhava com o noivo, não sonhava com o vestido e muito menos com a festa. Sabia que queria casar, mas nunca sonhei ou idealizei esse dia. Em conversas com amigas e família ia-me apercebendo que apesar de ter uma boa teoria sobre o 'querer casar' não conseguia de forma nenhuma imaginar o casamento tradicional. Imaginar-me num altar, vestida de branco e com uma igreja cheia era (e ainda é) algo que me parecia irreal, simplesmente não me conseguia imaginar nessa posição. Por isso, nunca fui a menina que sempre sonhou em ser a princesa que ruma ao altar para encontrar o seu príncipe encantado. Sempre me imaginei casada, de aliança dourada no dedo, mas tudo o resto me parecia uma fantasia, uma fantasia que não estava comigo desde menina.

Há medida que crescia continuava a dizer que queria casar. Para mim a bênção católica é algo que necessito, o documento civil pouco me importa e à minha vista é um simples contrato, mas as minhas crenças (que em tempo estiveram desaparecidas) na bênção eram necessárias. Há algo que me faz considerar que essa bênção me dará 'sorte', eu sei que pode parecer uma pura fantasia, mas uma católica, no seio de uma família ainda mais católica, sente essa necessidade. No entanto, o casar 'como' era sempre algo demasiado abstracto para se pensar mais tarde. Quando chegasse à altura. Pelo caminho, ainda antes de o conhecer, sabia que queria casar e de uma forma inconsciente comecei a criar na minha mente um casamento que me soava ao casamento perfeito. Surgiu inicialmente como brincadeira, quando me perguntavam como me queria casar, mas há medida que o tempo foi passando fui ganhando cada vez mais vontade em fazer um piquenique ou um churrasco. A ideia parecia ter tudo a haver comigo, aliás, ainda me continua a parecer perfeito! Com famílias enormes, achava que um espaço ao ar livre em que cada um levasse algo (tal como um piquenique normal), de jeans e havaianas seria a melhor forma de festejar o dia do meu casamento. Acessível, super diferente do que estou habituada e super informal. O meu vestido curto com sapatos vermelhos seria a cereja em cima do bolo. Durante anos, esta foi a minha versão do casamento ideal.

Hoje? Ele fez-me voltar a reavaliar o meu conceito de casamento. O termo 'maluca' surgiu frequentemente, quando acompanhado com as palavras 'casamento' e 'piquenique'. Vindo d'Ele, o homem que nunca quis casar, o homem que achava que isso era absolutamente desnecessário e do homem que achava que casar não servia para nada. Sim, isso veio d'Ele, do homem que ao fim de um mês de namoro me pediu em casamento. 'Ao casar, é casar a sério e não com um piquenique!', foi complicado fazer-lhe ver que para mim casamento não é a festa. Aliás, acho que ainda pouca gente me compreende, hoje a palavra casamento está associada à palavra festa, mas para mim, bem cá no meu intimo, casamento é apenas a sensação de bênção, de comunhão comigo, Ele e o universo. Casamento também é festa, mas isso é apenas a parte secundária do resto, casamento para mim é a cerimónia. E acreditem não tem sido fácil fazer isso ver ao mundo. No entanto, temos cedido em algumas coisas. Vamos optar pelo meio tradicional de 'festa', a quinta, o casamento grande com fotógrafo e tudo o resto, mas ainda quero encontrar uma forma de tornar esse dia o meu dia. Sem a pressão, sem a cronometragem de timmings e sem a sensação de 'não posso partir um copo' que normalmente os casamentos me dão. Ok, não será um piquenique (oh que coisa mais apelativa se torna a palavra piquenique!), mas que seja na mesma um dia em família, amigos e muito amor.

Ainda não estou a visualizar nenhum cenário. Continuo sem me imaginar vestida de noiva, continuo sem imaginar caminhar até ao altar e muito menos me consigo imaginar no meio de uma grande festa em que sou uma das personagens principais. Contudo, a cada dia que passa parece estar tudo mais palpável, mais real, apesar de na minha cabeça ainda TUDO me ser abstracto.

 

P.S.: Oh casamento, a quanto obrigas!